Publicado em 23/08/2021

Vilões e aliados da memória

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Como está sua memória? Você já parou para pensar como a memória pode influenciar nas atividades do nosso dia a dia? E aquele famoso “deu um branco agora” será um sinal de alerta? Nós conversamos com o neurologista e professor do curso de Medicina Fernando Menezes sobre alguns vilões e aliados da memória.

Estresse

Você sabia que o estresse faz mal para a memória? Pois é! Quem anda muito estressado pode começar a ter lapsos ou falhas na memória. “O principal hormônio do estresse, que é o cortisol, tem a ação de nos deixar um pouco desorientados. O banho de cortisol que sofremos diariamente por conta da nossa vida estressante associado também a ansiedade, que gera a liberação de glutamato - um neurotransmissor tóxico - pode fazer com que a gente tenha perda de memória”, explica o neurologista.

Deu um branco?

Fernando observa que a perda de memória pode estar relacionada a muitos fatores e que o paciente deve ser investigado de modo global. “Existem fatores que são negligenciados, por exemplo, uma pessoa que tem uma dor crônica que leva a falta de sono, ou seja, uma insônia crônica, vai ter como queixa, além da fadiga, uma dificuldade de atenção, compreensão, raciocínio e também falta de memória. Tudo isso porque seu sono é inadequado. Outro exemplo: pessoas que tem depressão têm os processos mentais mais lentos e isso se reflete na memória. Pacientes que tem Transtorno de Déficit de Atenção, às vezes, têm problemas de memória porque eles têm dificuldade de fixação. Devemos estudar as causas da perda de memória, observando todas as condições do paciente”.

Principais doenças

De acordo com o Ministério da Saúde, o Alzheimer é a principal causa de demência no mundo. Sobre a doença, o especialista alerta. “Nem tudo que chega no consultório eu posso afirmar que é Alzheimer. Temos outras doenças que ‘imitam’ o Alzheimer como uma disfunção no cérebro associada ao hipotireoidismo, como a sífilis cerebral, a deficiência da vitamina B12, associação com o HIV, herpes. Enfim, tem várias outras condições que devem ser investigadas antes de se afirmar que é Alzheimer”, ressalta Fernando.

Os alimentos e seu poder

Os alimentos que consumimos influenciam nossa memória. “Tem que ser uma dieta pobre em radicais livres, com muito mais carne de peixe e frango, com uma boa proporção de oleaginosas, como castanhas e nozes, com açúcar o mais natural possível, sem acesso a adoçantes artificiais, eles estão sim implicados com esse risco de demência global e até mesmo com a doença de Alzheimer. Dieta com menos embalados e mais descascados, priorizando o que é saudável. Lembre-se: o que é bom para o coração é bom para o cérebro e vice-versa”, indica o neurologista.

Treine sua memória

Que tal começar a fazer palavras-cruzadas para treinar sua memória? Esse recurso pode te ajudar! “Não só os jogos de caça-palavras, palavras-cruzadas, mas também o sudoku ou os jogos que são de lógica, todos são formas de você treinar a memória, sua cognição como um todo. Nas palavras-cruzadas, nós temos a questão da memória semântica, de você treinar o vocábulo, a silabação, o componente espacial. Esse treinamento acontece para você ressignificar um conhecimento prévio, você jamais vai achar uma palavra que você nunca soube o que é. Esses caça-palavras são interessantes porque eles buscam nossas memórias palavras que já foram aprendidas, conhecimentos que você já tinha e evoca durante o caça-palavra. São de fato atividades que integram a sua cognição, a sua inteligência como um todo, por isso elas melhoram a memória”, conclui o especialista.